
Eleições presidenciais de 2026 no Brasil. Final das votações em 1º turno.
Ontem, 07 de outubro de 2026, manchetes de jornais e posts circularam na rede digital de informações dizendo: “ATOS DOS ESTUDANTES em apoio à reeleição de um dos candidatos à presidência do país.”. Ao bater os olhos nessa notícia, vi também vídeos de professores inflamados convocando os estudantes para saírem às ruas por esse propósito. Foi inevitável para mim indagar sobre o papel dos professores na educação, bem como sobre quem realmente seriam os protagonistas dessa anunciada manifestação.
Em sua formação humana, crianças, adolescentes e jovens deveriam ter como professores, pessoas que em seu ofício não confundissem conhecimento, pedagogia e ensino, com construção político-ideológica de uma visão de mundo e de valores histórico-materialista, que reduz toda a bela e rica pluralidade humana, inclusive a abertura à transcendência, a jogos de poder, narrativas relativistas, opressão e luta obsessiva por libertação social.
Imaginemos o impacto de submeter seres humanos em suas fases iniciais de desenvolvimento emocional, cognitivo e intelectual — pequenos e ingênuos indivíduos, naturalmente ávidos por apreenderem a essência dos fenômenos, a realidade dos objetos encontrados ao seu redor e a ordem ou o cosmos do mundo em que habitam — a um sistemático bombardeio de espectro crítico-social revolucionário, de matriz socialista. Seria mais ou menos violentar a própria alma infantil, pura e intensa por conhecer as coisas em si mesmas, enchendo-a de um relativismo niilista, repleto de peso, de rancor, de raiva, de ressentimentos que em nada combinam com a infância ou com a adolescência, confinando estes belos indivíduos a uma existência triste, despersonalizada e coletivista, diminuídos ao pensamento social crítico e neurótico do grupo ao qual foram consistentemente expostos ao longo da vida.
A ideia primordial desse grupo que dominou a mente dos jovens e de adultos de nosso tempo é a de que vivemos sob incessante opressão social, cultural e econômica, fazendo com que a razão e a expectativa existencial dos indivíduos seja unicamente a de “resistir”, “confrontar”, “lutar”, “desconstruir” e “derrubar” o sistema ordenado e social latente para a implantação de um outro utópico e controverso, este sem quaisquer limites, parâmetros e orientações morais seguras e estáveis em que confiar. Percebo nos jovens com os quais encontro diariamente nos espaços públicos da sociedade esse peso, essa dor, esse ressentimento e inimizade à vida e ao outro “de classe distinta”, subjetivamente considerado como eterno inimigo a se combater.
Tempos atrás não era assim. Éramos jovens e víamos jovens de todas as condições sociais, culturais e econômicas cheios de vida e de esperança, repletos de vitalidade e de positividade em relação ao outro e ao futuro. Sim, existiam pessoas mais novas tristes ou atropeladas pelo rancor e desesperança provenientes de adventos concretos e experimentados. Esse fardo, porém, não angariava representantes afetados exclusivamente pelo aspecto abstrato e ideológico. A generalidade dos novos, independentemente da condição de vida, era de meninos e meninas com a cabeça em pé, com um olhar firme, que olhavam nos olhos e eram cheios de vitalidade e alegria de viver. É certo de que o excesso de tecnologia, via smartphones e redes sociais, também contribuem bastante para esse novo perfil juvenil cabisbaixo, amargurado e ressentido. Contudo, boa parte disso deriva do motor das ideologias revolucionárias que adentraram às escolas e aos inúmeros espaços sociais de formação humana.
Ora, crianças, jovens e adolescentes são pedras puras, preciosíssimas, ainda por lapidar. Seus pais bem o sabem, pois dedicam a estes pequenos tesouros humanos todo seu amor sacrificial diário. Preocupam-se com os mínimos detalhes de suas vivências individuais, relacionais e biológicas: com quem devem estar, como devem aprender, o que devem aprender, onde vão estudar, como vão vivenciar experiências A ou B, que amigos formarão, o que devem comer, o que vestir, o horário que devem dormir, como devem se portar e que pessoas serão no futuro.
No entanto, pelas contingências da vida (necessidade de “ganha pão”, modelo de vida contemporâneo, regras inflexíveis do sistema educacional vigente etc.) nossos filhos terminam por ficar mais tempo nas escolas que em casa, deixando de vivenciar suficientemente o ensino efetivamente sólido e formador proveniente dos pais. Por estarem longos períodos sob a tutela e a direção de pedagogos e professores, muitas vezes reprodutores de cartilhas de movimentos ideológicos disfarçados de legítima Educação ou Paidéia, os filhos mudam, se transformam, se transtornam, se desfiguram, se desvinculam de suas famílias e tradições, tornando-se verdadeiros estranhos aos valores consagrados na sociedade cristã ocidental e às relações interpessoais originais construídas dentro de casa, pelos pais. Cinco horas por dia, cinco dias por semana (quando não cumprem o regime integral, tipo jornada adulta de CLT). Desde os primeiros 04 meses de vida aos 18 anos no ensino básico, mais 05 anos no ensino superior, mais 24 meses no mestrado, mais quase meia década no doutorado, assim se constrói ou se implode o edifício educacional de nossos filhos.
Ora, é muito tempo fora do âmbito familiar, o que representa todo período de formação do indivíduo sob a hegemonia de aulas, de livros didáticos, discursos, discussões, provas e gabaritos de perspectiva ideológica crítico-social, com bases marxistas, que lêem a realidade e o homem sob um viés reducionista, aprisionando-os no plano imanente, material, social. Só a título exemplificativo, a Base Nacional Comum Curricular da Educação Brasileira – BNCC na parte de educação infantil conceitua a criança como: “Sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura.”.
Sujeito histórico? Constrói sentidos? Esse é o núcleo central escolhido por especialistas da educação para definir a criança, no âmbito da educação infantil, em um dos principais documentos nacionais, de caráter normativo, com força de lei e de aplicação obrigatória? Sinceramente, quando olho para uma criança de 0 a 5 ou 6 anos observo profunda e intrinsecamente muita coisa, menos um sujeito produzido historicamente ou mesmo um ser humano que precisa construir sentidos sobre a realidade da natureza ou da sociedade, como se o real não estivesse acessível à inteligência humana ou não fosse apreensível objetivamente.
Em primeiro lugar, o que mais se observa em bebês e crianças é a natural e vital energia dispensada para entender objetivamente as coisas e os fenômenos do mundo. A criança ao olhar e vivenciar o mundo em redor não busca criar sentidos relativos a si mesma para as coisas, mas busca evidentemente compreender a objetividade das coisas como são em essência – o quid est dos entes, como bem ensina a metafísica clássica. Acreditar que a realidade é relativa em essência e que só nos resta criar sentidos variáveis e subjetivos sobre tudo é negar a potencialidade de nossa inteligência abstrata e especulativa para formar conceitos adequados e corretos sobre os objetos do mundo, bem como brincar de conhecer, de fazer ciência, de viver e de realizar sentido de vida em última análise.
Em segundo lugar, nesta fase primária da existência humana, não há como considerar o ser da criança como um sujeito dotado de posição social ou cultural, mas uma pessoa real cuja natureza está drasticamente acima de caracterizações sociologizantes.
Em terceiro lugar, as duas únicas histórias estampadas em bebês ou em crianças de primeira infância, que adentram a uma escola infantil, são: a) a de seus pais (da família) e suas características peculiares na missão e na responsabilidade de amar e educar o novo ser; b) e a da própria criança ou bebê nesse incipiente contexto inicial. Jamais e bem longe de estar presente nos pequenos a conotação coletivista engendrada e sugerida pela BNCC, que sutil e ardilosamente pretende achatar e encaixar forçosamente os indivíduos humanos, logo nos primeiros momentos de vida, como peças úteis de um joguete político revolucionário, rumo ao movimento social de conflitos artificiais e de libertação intransigente da realidade para a assunção de um sistema ideológico irreal, grotesco e distópico.
Mas o que afinal pode ser visto fundamentalmente em crianças dessa faixa etária, no início da vida? Bem, beleza, pureza, vitalidade, energia, força, fragilidade, dependência, cuidado e amor dos pais, instinto, inteligência, criatividade, emoções, humor, deslumbramento com a vida e com o mundo ao redor, curiosidade, desejo pela verdade objetiva e absoluta, desenvolvimento, espiritualidade e transcendência a Deus, por gerar o milagre da vida individualizado-a naquela pequena pessoa. Esse é o núcleo antropológico evidente e digno da criança em si mesma, seja em sua própria existência, seja no seio social da família, seja no plano social da escola. Esse é o cerne conceitual de criança na educação infantil que naturalmente deveria constar no documento educacional BNCC.
Essa é a legítima verdade dos estudantes. O que se viu ontem nas ruas e se chamou equivocadamente de ATOS ESTUDANTIS, manifesta outro, distinto e inverso fenômeno social, o qual pais, mães, familiares e a sociedade em geral deveriam compreender como uma espécie de TEATRO DE MARIONETES, sumamente apresentado na forma de um espetáculo vil e horrendo de manipulação de mentes, reengenharia social, abuso infanto-juvenil e invasão explícita, político-ideológica da ordem natural e orgânica da famílias brasileiras.
Professores ein? Um educador não retira um filho de casa (dos valores e tradições familiares), de forma alheia à vontade ou à despeito da orientação dos pais, sob o pretexto de ensinar, para fazer dele um soldado político com base em sua própria visão de mundo. Um professor é como um amigo dos pais, um mestre que dá as mãos à familia e caminha junto dela, fornecendo os instrumentos objetivos e estáveis do conhecimento para que os filhos desenvolvam-se dentro de suas casas e lares, junto com seus pais, acrescentando à tradição e aos sonhos da família a sua contribuição pessoal para posteridade.
Dedico este texto aos inúmeros pais, mães e famílias que hoje sofrem por terem perdido seus filhos para esse planejado sistema de falsa educação. Faço dele também fundamento para nossas orações diárias a Deus para que milagres aconteçam e nossos queridos filhos (jovens ou adultos) voltem para casa com suas intelectualidades, emoções e corações livres e restaurados como sempre deveriam ser.
Abs.
Thiago Assinger.
